domingo, 18 de junho de 2017

A escola da vida e a "dança das cadeiras"

Por Marcos Pinto.

"O tempo deixa perguntas, mostra respostas e traz verdades". (François Silvestre).

O enfrentamento aos desafios cotidianos impõe-nos a certeza de que temos que nos escudar em fatos oriundos de experiências concretas, que  nos levam a transpor o limiar da porta da "Escola da Vida", adentrando-a de rijo. É determinante a assertiva de que as experiências acumuladas fornecem subsídios eficazes para escapar da perspectiva de resultados desgastantes e totalmente divorciados da vitória tão almejada. Há sempre uma contenda voraz entre o que pensamos e as nuances do porvir. Não adianta se deixar dominar pela fugaz ilusão de que não haverá um brutal e massacrante enfrentamento a todos os tipos de dificuldades, desapontamentos, ingratidões e injustiças. O simples fato de se ter e de se ostentar o "Diploma da Vida" tutelado pelas decisivas experiências vividas não lhe confere a certeza de estarás imune aos virulentos ataques dos invejosos e pérfidos, sempre prontos para assumir o controle das ações, derivando-a para uma vitória sem louros nem glórias.

Nesse diapasão materialista e asqueroso, há uma agitação constante na coreografia desgastante da "Dança das Cadeiras", sob um eco ensurdecedor da desconfiança e do descrédito. O pior reside na triste constatação de que pessoas com maior vínculo sentimental forjam nos bastidores da inveja e da sordidez toda sorte de maldades, com fito único de nos impor restrições aquisitivas. Agrava-se com o fato de que, raramente, essas pessoas invejosas não apresentam contendas íntimas de remorsos, pela virulência e maldade destiladas de forma vil e covarde.

Observa-se, com veemência, nos olhares indagadores dos nossos circunstantes, que há uma certa impaciência generalizada, exercendo sobre nós uma mistura da  medo e fascínio. O poder de mando sobrepuja as virtudes presentes no ser humano, deixando escapulir pelas frestas da janela do tempo a certeza de que só Deus detém o poder eterno e sem máculas. Assiste a plenitude da razão ao saudoso poeta Apolônio Cardoso, quando cunhou a célebre frase: "De tanto ver os burros mandando nos homens de inteligência, às vezes fico a pensar que burrice é uma ciência". Tal realidade traz embutida um asco imensurável.

Deus é infalível na coreografia da "Dança das Cadeiras". Hoje Chefe. Amanhã subordinado ao qual humilhou amargamente. A boa receita divina inclui controle da vaidade e da ansiedade. Assoma-me, outra vez, a sentença de que a cordialidade interativa sempre emoldura um demorado adeus. Delineia-se o perfil dos ocupantes na "Dança das Cadeiras", a maioria procurando sair-se com anel de ouro em tromba de porco, chafurdando na lama, mas brilhando como se limpo fosse. Há pessoas que, fora de sua função, guarda mais alívio do que saudade. Hoje, assume-se mais obrigações com frivolidades, fragilizando-se pelos açoites da alma doentia. Predomina um estado de angústia diante o incerto porvir. Recuso-me a perlustrar a pequenez do espaço mundano.

Marcos Pinto – é advogado, escritor e historiador.

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